Enganem-me, mas façam-no com prazer.

Bluff.

Estou fodido.

Uma garrafa meio vazia é uma garrafa meio cheia…

É num estilo ecleticamente irónico que se escrevem as linhas de um pequeno pensamento.

Compreendo e revigoro a ideia de que não há necessidade humana mais básica do que atingir o sentimento de bem-estar puro. Não é algo que se adquira espontâneamente, é uma forma de estar, um sodoku que se completa a primeira, são esforços que se fazem, pensamentos que se trabalham e conquistam.

É algo pelo qual lutamos, [todos?], em prol do nosso bem-estar puro.

E qual a definição de bem-estar puro?

Não dá para escrever, não dá para desenhar, não dá para pintar, não dá…

Sente-se e vive-se.

Cada necessidade deve ser satisfeita com base no que te definiu ao longo da tua metamorfose humana.

Nasces precisando de XYZ, coisas para as quais não tens capacidade de adquirir sozinho, cresces aprendendo a desligar-te da ajuda que te foi paternalmente oferecida,  conseguindo agora, aos poucos e poucos, XYZ, sem que ninguém te segure as pernas para não tropeçares. Na etapa seguinte, amadureces percebendo que já consegues XYZ sozinho. Radiante e emocionalmente preenchido ficas a achar que já não necessitas da periferia envolvente para mais seja aquilo que tu encontres.

Narcizismo etápico rídiculo.

XYZ só por si não têm valor.

Bem-estar puro?

Narcizismo etápico rídiculo.

Com os olhos cobertos por lágrimas ou ofuscados pelo sol da manhã, sentimos que o EU é o primeiro e o TU  o segundo. Há muitos que defendem que é o correcto e o certo.

Vivam sozinhos, fiquem sozinhos, sintam-se sozinhos, lutem sozinhos…

E digam que é certo e que é correcto.

O EU é o primeiro, é um facto, mas é o primeiro a perguntar onde estás TU.

“Quinta feira, Agosto, pleno verão.

A cidade encontrava-se pouco citadina, poucos carros, poucas pessoas, as lojas encerradas com papeis bem maiores que elas, lia-se em quase todas “Fechado para Férias”. Tudo natural para a época. Tinha acabado de estacionar o carro, colocado uma pastilha na boca, acalmar-me-ia um décimo do que necessitava.

Optei por não aguardar dentro do veículo, a fraca brisa que se fazia notar era mais intensa fora dele.

Não haviam passado dez minutos desde que chegara quando sinto uma presença a aproximar-se. Senti-me momentaneamente observado e não muito tempo depois dirige-se a mim.

Rapaz, aceitas um cigarro? Pareces-me ansiosamente nervoso.

O primeiro pensamento que tive, foi de imediatamente proferir, SIM QUERO. Estava realmente a necessitar, tremia, a minha respiração era quase ofegante, o meu coração batia intensamente fazendo-se ouvir bem longe. Controlei o primeiro impulso e troquei-o pela racionalidade.

Não Obrigado, eu não fumo.

Estava aqui só a ser generoso contigo, vejo que não paras de olhar para todo lado, pareces-me ansioso por alguma coisa. Pensei que fosse por um night, daí me ter aproximado.

Não, não são fumador, fico-me pelo vicio do café. Retorqui.

O rapaz puxa de um cigarro, olha-me com uma feição de quem percebe que o seu aspecto tinha condicionado a minha decisão e retribui.

A sua saúde agradecer-lhe-a meu jovem. Um resto de bom final de tarde.

Aquele ser prosseguiu o seu caminho, eu estático fixei-o ainda durante uns belos instantes. Estava sujo, com sinais de quem usava aquela fatiota dia sim, dia sim. Poucos segundos depois percebi que começara a dar ordens aos carros que se aproximavam dele e que ao mesmo tempo se afastavam rejeitando as indicações do rapaz.

Eram agora perto de nove horas da noite, a torre da sé encarregava-se de me confirmar o que o meu relógio me mostrava. Tinha chegado antes e ela ia chegar depois, nada que me fizesse mal, eu esperaria nem que fossem dias…

Castanho era a cor que dominava com intensidade e brilho os seus olhos, estava incrivelmente bonita, deslumbrante, simples, mas com um toque genuinamente seu. Parecia-se com uma melodia de Mozart, não só bela como também sublimente.

Feria-me os olhos e destruía-me os pensamentos.

Confiante e segura de si mesma, incapaz de me pedir desculpa pelo atrasado, toca-me com os seus lábios…

Ela tinha finalmente chegado…”

As histórias não se escrevem sem um fundamento, os livros não aparecem vindos do vazio. Têm o seu Q…

Ao procurar-mos pelo fundamento de tudo, encontramos coisas sem fundamento algum. Tentamos repeli-las, despreza-las ou ignora-las. Mas elas voltam sempre, teimam em não se afastar.E voltam, e quando voltam trazem sempre consigo os porquês.

Porquê assim?

Porquê desta forma?

Porquê comigo?

Porquê

Porquê

e mais porquê.

Não é que nos tenhamos esquecido que os outros estão lá, e sempre estiveram, só que em determinado momento existe algo que é mais importante e que apaga a corrector o que estava lá escrevinhado. Eu sei que é possível retirar ainda o corrector, mas é necessário coragem, colocar o orgulho de lado e assumir o que falhou, o que magoou e acima de qualquer outro parâmetro:

Dizer com toda a sinceridade.

Volta,

Volta tu,

Volta ele

Volte aquilo,

Voltemos,

Que volte

Voltará?

Não são necessárias respostas, a retórica já nos ensinou alguma coisas.

Não me esqueci,

e o bem-estar puro?

Os que o têm preservem-no, os que não procurem-no, [por mais que pese].

Enganem-me, mas façam-no com prazer.

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