Despi-me de ti!

A raiva e a agonía, não são apenas metáforas de sentimentos que na verdade se escondem.

São o pavoneio de um longo caminho já percorrido.

Agora tens exactamente aquilo que quises-te.

Hoje fazes exactamente aquilo que desejas.

Tiras-te-me da tua vida, afastas-te-me das tuas coisas e mesmo que isso não bastasse, ensinas-te-me a repugnar o teu nome. Escreves-te-me cartas onde as letras vinham trocadas por coisa nenhuma. Mandas-te-me flores,como se eu gostasse de flores, (vinham murchas de tão pouca vontade que tinham em desbotar). Publicas-te aquele vídeo com o meu nome e dedicação, mas no qual eu nem aparecia.

Fizes-te tudo ao contrário daquilo que eu um dia tinha desejado.

Embrulhas-te o que sentia e colocas-te no cesto do lixo, como se de um rascunho se trata-se. Conseguis-te mesmo sem palavras, silenciar a minha voz. Ofereces-te-me o teu silêncio, enquanto eu te oferecia palavras bonitas.

Depois,

Depois pedis-te-me que te retribui-se com algo.

Eu, inocente e crente em ‘tudo vai ser diferente hoje’, esqueci-me de te lembrar que para receber é preciso dar.

Dediquei-me aos meus textos. Primeiro escondi-os de todos, depois escondi-os de todos mas mostrei-os a ti e hoje escondo-os de ti e mostro-os a todos.

Não há coisa melhor do que falar comigo próprio mesmo que todos me oiçam. Não importa, são estórias por onde qualquer um passa, mas que por falta de apetite, essência ou capacidade não as escreve, simplesmente.

Eu alertei-me, mas o alerta não chegou ao meu cerne, ficou-se pela periferia do meu ser. Também me alertaram, mas se eu próprio não conseguia, quem mais o podia fazer.

No entanto, eu escrevi-o naquela data. Linhas tortas que acabaram por ser direitas.

Eu trocava um olhar contigo enquanto tu trocavas uma mensagem com ele. Tu dava-lhes um beijo, enquanto me davas um aceno de mão, como quem diz, “Não vás, fica perto de mim.”

O romance estalou. A tua mente vidrou-se no mais importante para ti naqueles dias, e nada mais tinha valor.

O meu verão foi terrível, o meu inverno solitário.

Passou,

Passou porque o inverno está no fim.

A neve começa agora a derreter, as andorinhas começaram à dias o seu fluxo migratório. A proximidade dos dias quentes, das noites longas e da casa da praia já se sente na palma das mãos. Pouco falta, apenas o tempo necessário para que tudo chegue. As diferenças são tantas que foi necessário existir a madrugada para fazer elo de ligação entre a noite e o dia. O baú está fechado, a mochila apronta-se aos poucos.

Sente-se o cheiro a brisa, às camisas abertas, aos (apenas) vestidos, peças cómodas e sensuais, sente-se…

Cheira a calor…

Cheira a ti…

… meu querido mês de Agosto!

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s